Usando a analogia de Tia Lydia em Handmaid’s Tale para falar de um problema organizacional: a motivação e influência dos funcionários. E quando o problema é o barril? O que o RH pode ou deve fazer?

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Sinopse da série

The Handmaid’s Tale é uma série dramática baseada na obra de Margaret Atwood. O programa se passa na distopia de Gilead, uma sociedade totalitária que foi anteriormente parte dos Estados Unidos. Enfrentando desastres ambientais e uma taxa de natalidade em queda, Gilead é governada por um fundamentalismo religioso que trata as mulheres como propriedade do estado. Como uma das poucas mulheres férteis restantes, Offred (papel de Elisabeth Moss) vive na casa do Comandante Waterford como uma Aia, uma das castas de mulheres forçadas à servidão sexual como uma última tentativa desesperada para repovoar um mundo devastado. Nessa sociedade aterrorizante onde uma palavra errada pode acabar com sua vida, Offred vive entre comandantes, as suas mulheres cruéis e seus servos – onde qualquer um poderia ser um espião de Gilead – tudo com um único objetivo: sobreviver e encontrar a filha que foi tirada dela.

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No episódio 8 da terceira temporada (SPOILER–>>), Tia Lydia percebe um padrão interessante: as Aias mais problemáticas de Gilead já foram do Comandando Joseph Lawrence, o principal arquiteto da economia do país.

Uma já roubou um carro, matou uma esposa, esfaqueou Tia Lydia e fugiu com um bebê; a outra é a principal face da resistência e já causou inúmeros problemas.

June (ou Ofjoseph) em handmaid’s tale s03 e08

 

“Sometimes it’s the apple, and sometimes it’s the barrel” – Tia Lydia

 

Agora vamos lá. Tia Lydia controla, com punhos de ferro as Aias de Gilead. Ela tem total controle sobre elas e sabe ser bem persuasiva. Mas quando se trata do comandante Joseph, não. Ela está abaixo dele na hierarquia do país.

Tia Lydia sabe também que essas Aias, mesmo problemáticas, ainda podem dar muitos frutos pra Gilead (filhos).

A analogia é simples:

Os profissionais de RH são Tia Lydia, as Aias são os colaboradores problemáticos, o comandante Joseph é o barril e Gilead é a empresa.

Quando o RH identifica as maçãs podres dentro da empresa, eles têm duas opções:
– expurgar
– Tentar entender e, se o funcionário estiver disposto, reverter o quadro.

Tia Lydia e algumas das Aias de Gilead em Handmaid’s tale s03 e09

Afinal um funcionário desmotivado pode ser um câncer na empresa, que vai se espalhando muito rápido, mas o colaborador que reclama, diferente dos outros que aceitam tudo por acomodação e estabilidade, pode ser uma grande força motriz dentro da empresa.

Mas e se eles identificam que o problema dos funcionários, o cerne da questão, não é um ou dois funcionários influenciadores – as maçãs podres – e sim quem está na gerência dessas pessoas – o barril? A quem eles recorrem?

O que fazer se e o problema está em quem deveria manter a cultura sendo exercida, os C-Levels?

Conversando com uma colega sobre isso, chegamos a seguinte conclusão:

De que não há o que ser feito.

É verdade, gente. Não tem o que ser feito.  O RH pode tentar uma, duas, inúmeras vezes, mas não vai ter resultado.

No final, quem deveria cuidar da boa saúde da empresa e manter as maçãs sempre brilhantes e suculentas – o RH -, também se contamina no barril e deixa as coisas acontecerem aos poucos:

– Um funcionário desmotivado influência outro que influência outro que influência outro…;
– Os talentos vão, aos poucos, indo embora;
– Ninguém se anima pra nada;
– O estresse se instaura feito cupim;
– O respeito acaba…

E mais importante: tudo isso se reflete no cliente, que vai onde tem as melhores maçãs e os melhores barris.

O que resulta em belas tortas – atendimento bem feito, produto bem feito, venda bem feita.

Meu nome é Müller, se fala Miller, mas me chamam de Mulher.
Sou criador de conteúdo, publicitário, designer e empreendedor.
Nas horas vagas gosto de ler, ouvir música, viajar, ver filmes, assistir séries e falar sobre essas coisas.
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